Como encontrar empresas parecidas com seus melhores clientes

Erick Luiz Bertolini

Erick Luiz Bertolini

Gerente de prospecção B2B

Atuo com tecnologia, e-commerce e soluções B2B, com experiência em prospecção comercial, dados empresariais e desenvolvimento de produtos digitais. No Lista de Empresas, compartilho conteúdos sobre geração de leads, inteligência comercial, CNPJ, vendas B2B e estratégias para encontrar novos clientes.

Seus melhores clientes já revelam pistas sobre onde procurar novas oportunidades. Atividade econômica, localização, porte, estrutura de matriz e filiais e tempo de operação podem ser transformados em critérios para localizar empresas semelhantes.

A ideia não é procurar cópias exatas de um cliente. O objetivo é identificar padrões empresariais associados a bons resultados e usá-los para montar uma lista B2B mais aderente, testável e fácil de explicar.

O que significa encontrar empresas parecidas?

Empresas semelhantes compartilham características relevantes para a sua oferta. Essas características podem ser cadastrais, geográficas, operacionais ou comerciais.

Em dados empresariais públicos, os sinais mais acessíveis costumam ser:

  • CNAE principal e atividades secundárias.
  • Porte cadastral.
  • Município, UF, bairro e CEP.
  • Matriz ou filial.
  • Data de abertura.
  • Natureza jurídica.
  • Situação cadastral.

Esses campos ajudam a construir um recorte, mas não provam necessidade de compra, orçamento ou momento comercial. A semelhança cadastral deve iniciar a qualificação, não encerrá-la.

Comece definindo quem são os melhores clientes

Antes de buscar empresas semelhantes, escolha corretamente o grupo de referência. Faturamento alto, sozinho, nem sempre significa um bom cliente. Considere também margem, retenção, facilidade de implantação, frequência de compra, custo de atendimento e potencial de expansão.

Um grupo inicial pode reunir clientes que:

  • Obtêm valor claro com a solução.
  • Permanecem por mais tempo ou compram de forma recorrente.
  • Exigem esforço de atendimento compatível com a receita.
  • Têm processo de compra compreensível e replicável.
  • Geram casos de uso que podem ser aplicados a outras empresas.

Evite usar apenas um cliente como referência. Um pequeno grupo reduz o risco de transformar uma exceção em regra.

Separe sinais de resultado e sinais de identificação

Algumas informações mostram por que o cliente é valioso, mas não estão disponíveis antes da venda. Outras ajudam a encontrá-lo em uma base de empresas.

Sinais de resultado

Margem, retenção, volume comprado, satisfação, tempo de implantação e expansão pertencem ao relacionamento comercial. Eles ajudam a escolher os clientes de referência.

Sinais de identificação

CNAE, localização, porte, matriz ou filial, natureza jurídica e data de abertura podem ser usados para procurar organizações com perfil semelhante.

A ponte entre os dois grupos é a hipótese: clientes que geram bons resultados parecem compartilhar quais características observáveis?

Como construir o perfil passo a passo

1. Selecione uma amostra de bons clientes

Escolha contas com resultados consistentes e contextos comparáveis. Se a empresa atende mercados muito diferentes, crie amostras separadas por produto, segmento ou caso de uso.

2. Organize os dados empresariais

Associe cada cliente ao CNPJ correto e reúna os campos cadastrais relevantes. Quando houver várias unidades, identifique se a relação comercial ocorre com a matriz, uma filial específica ou o grupo inteiro.

3. Procure padrões recorrentes

Conte quantos clientes compartilham o mesmo CNAE, faixa de porte, região, tempo de atividade ou estrutura. Observe combinações, não apenas campos isolados.

Por exemplo: o padrão pode não ser simplesmente “indústrias”. Pode ser “fabricantes de determinado grupo de CNAEs, com operação em três estados e mais de uma unidade”.

4. Diferencie requisito de preferência

Requisito é aquilo sem o qual a oferta não funciona, como estar dentro da área atendida. Preferência é um sinal que aumenta a prioridade, mas não exclui automaticamente a empresa.

5. Crie uma primeira lista

Aplique os requisitos e preferências à base de empresas. Comece com um conjunto administrável, capaz de ser revisado e trabalhado pela equipe comercial.

6. Valide uma amostra

Confira se as empresas selecionadas realmente apresentam o contexto esperado. Site institucional, descrição de serviços, unidades e presença comercial ajudam a confirmar a atividade sem depender de afirmações inventadas.

7. Teste e ajuste

Acompanhe contatos úteis, reuniões, desqualificações e oportunidades. Se um critério traz volume sem aderência, reduza seu peso ou torne-o mais específico.

Como usar CNAE na busca por semelhantes

O CNAE principal é um bom ponto de partida quando a necessidade está diretamente ligada à atividade central. CNAEs secundários ajudam a ampliar o universo, mas costumam exigir mais validação.

Uma estrutura útil é criar três grupos:

  • Núcleo: mesmo CNAE principal dos melhores clientes.
  • Adjacente: CNAEs de atividades com processo ou necessidade semelhantes.
  • Exploração: atividade relevante apenas como CNAE secundário.

Mantenha a origem do critério registrada. Assim, a equipe pode comparar quais grupos produzem conversas mais qualificadas.

Localização também pode revelar um padrão

Região pode influenciar logística, concentração setorial, cobertura do vendedor e capacidade de atendimento. Se os melhores clientes estão próximos de polos específicos, avalie se esse padrão está ligado ao produto ou apenas à história comercial da empresa.

Evite concluir que uma região é melhor somente porque foi mais prospectada no passado. Compare cobertura e resultados para separar oportunidade de viés de atuação.

Porte e capital social devem ser usados com cuidado

Porte pode ajudar a separar operações com estruturas diferentes, mas não substitui faturamento atual, orçamento ou maturidade de compra. Capital social também não é uma medida direta de capacidade financeira.

Use esses campos como sinais de segmentação, nunca como garantia isolada. Uma combinação de atividade, território, estrutura e evidência operacional costuma ser mais útil do que um único número.

Matriz e filiais na análise

Uma empresa com várias filiais pode indicar presença geográfica e complexidade operacional. Porém, também pode gerar duplicidade se cada estabelecimento for tratado como uma conta independente.

Defina antes da busca:

  • Se a decisão de compra acontece na matriz.
  • Se cada filial compra ou usa a solução separadamente.
  • Se o grupo deve ser trabalhado como conta única com várias unidades.

Essa regra influencia tanto a contagem do mercado quanto a distribuição das oportunidades.

Crie uma pontuação explicável

Uma pontuação simples ajuda a ordenar a lista sem esconder o motivo da prioridade. Cada critério deve ter relação clara com o histórico dos melhores clientes.

Exemplo de estrutura:

  • Atividade principal igual ao padrão: prioridade alta.
  • Atividade adjacente ou secundária: prioridade intermediária.
  • Dentro do território atendido: requisito obrigatório.
  • Porte semelhante: sinal adicional.
  • Matriz ou filial compatível com o processo de compra: sinal adicional.
  • Evidência pública do caso de uso: reforço de prioridade.

A pontuação deve ordenar o trabalho, não produzir uma falsa certeza. Sempre permita que a equipe registre exceções e explique por que uma conta foi promovida ou descartada.

Exemplo prático

Imagine uma empresa de software que percebe bons resultados entre distribuidores regionais com várias unidades. A análise mostra recorrência em determinados CNAEs de atacado, atuação em dois estados e presença de filiais.

A primeira lista pode selecionar empresas ativas desses CNAEs, separar matrizes e filiais e limitar a busca às regiões atendidas. As matrizes entram como contas, enquanto as filiais servem para estimar estrutura e cobertura.

Depois de validar uma amostra, a equipe testa uma mensagem centrada em gestão de múltiplas unidades. Os resultados mostram se a semelhança cadastral também representa uma necessidade comercial semelhante.

Evite estes erros

Copiar todas as características de um único cliente

Isso cria um perfil estreito e pode reproduzir detalhes acidentais. Procure padrões em um grupo e separe requisitos de coincidências.

Confundir correlação com causa

Clientes podem compartilhar um atributo sem que ele explique o sucesso. Um município recorrente, por exemplo, pode refletir a área mais trabalhada pela equipe.

Usar critérios impossíveis de verificar

Termos como “empresa inovadora” ou “boa gestão” não servem como filtro sem uma definição observável. Transforme a hipótese em sinais concretos.

Gerar uma lista grande demais

O objetivo é testar qualidade, não maximizar linhas. Comece com um volume compatível com a capacidade de pesquisa, contato e acompanhamento.

Não registrar desqualificações

Motivos de perda e contas fora do perfil ajudam a descobrir critérios de exclusão. Esse aprendizado melhora a busca seguinte.

Como medir se o perfil funciona

Compare grupos com critérios e volumes conhecidos. Alguns indicadores úteis são:

  • Percentual de registros validados.
  • Taxa de contato útil.
  • Conversas qualificadas por grupo.
  • Reuniões e oportunidades geradas.
  • Motivos mais frequentes de desqualificação.
  • Tempo e esforço por oportunidade.

Se um grupo parecido com os melhores clientes não melhora a qualidade das conversas, revise a hipótese antes de ampliar a lista.

Cuidados com dados e prospecção

Use apenas dados necessários à finalidade comercial, mantenha os registros protegidos e valide informações antes de abordar. A mensagem deve ser pertinente à atividade da empresa e permitir que o destinatário interrompa contatos.

Não utilize dados empresariais para inferir características pessoais de sócios ou funcionários. O perfil semelhante deve ser construído com sinais do negócio e do contexto operacional.

Perguntas frequentes

Quantos clientes preciso analisar?

Não existe número universal. Use um grupo suficiente para revelar recorrências sem misturar casos de uso muito diferentes. Quanto menor a amostra, mais cautelosa deve ser a conclusão.

Posso usar apenas o CNAE?

Pode ser o primeiro filtro, mas combinar atividade com território, porte, estrutura e validação tende a produzir uma lista mais útil.

Empresas parecidas compram pelos mesmos motivos?

Não necessariamente. A semelhança aumenta a plausibilidade do problema, mas necessidade, orçamento e momento precisam ser qualificados.

Como tratar clientes de segmentos diferentes?

Crie perfis separados por produto, caso de uso ou segmento. Misturar padrões incompatíveis produz critérios genéricos.

Quando atualizar o perfil?

Revise quando surgirem novos clientes relevantes, mudanças na oferta ou diferenças persistentes entre o perfil previsto e as oportunidades reais.

Conclusão

Encontrar empresas parecidas com os melhores clientes exige transformar experiência comercial em critérios observáveis. Escolha uma boa amostra, identifique padrões, gere uma lista pequena, valide e aprenda com os resultados. O valor não está em copiar clientes, mas em construir uma hipótese de mercado que possa ser testada.

Fontes de referência

Receita Federal — Dados Abertos do CNPJ

Concla/IBGE — Busca Online da CNAE

IBGE — Classificações Estatísticas

Planalto — Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais