Como criar uma lista de empresas para eventos e feiras B2B

Erick Luiz Bertolini

Erick Luiz Bertolini

Gerente de prospecção B2B

Atuo com tecnologia, e-commerce e soluções B2B, com experiência em prospecção comercial, dados empresariais e desenvolvimento de produtos digitais. No Lista de Empresas, compartilho conteúdos sobre geração de leads, inteligência comercial, CNPJ, vendas B2B e estratégias para encontrar novos clientes.

Uma lista para eventos B2B não deve ser apenas uma relação extensa de empresas. Ela precisa refletir o objetivo do encontro, o perfil de participante desejado e a capacidade real de convite e acompanhamento da equipe.

Quando os critérios são definidos antes da busca, a organização reduz convites genéricos, separa públicos com necessidades diferentes e consegue medir quais segmentos realmente compareceram, participaram ou geraram conversas relevantes.

Por que criar uma lista específica para cada evento

Mesmo quando a empresa já possui uma base comercial, cada evento exige um recorte próprio. Uma feira regional, um webinar técnico, uma rodada de negócios e um encontro para parceiros não atraem as mesmas organizações nem pedem a mesma mensagem.

Reutilizar toda a base sem segmentação aumenta o volume, mas pode reduzir a pertinência. O ideal é trabalhar com uma lista-mãe organizada e gerar seleções específicas para cada objetivo.

Comece pelo resultado esperado

Antes de escolher CNAEs, cidades ou portes, defina o que o evento deve produzir. O objetivo muda a composição da lista e o modo de priorizar empresas.

Alguns objetivos possíveis são:

  • atrair potenciais compradores para conhecer uma solução;
  • reunir empresas de uma cadeia produtiva;
  • aproximar fornecedores e compradores;
  • captar expositores, patrocinadores ou apoiadores;
  • fortalecer relacionamento com clientes;
  • validar interesse em um tema ou região.

Um evento pode ter mais de um objetivo, mas cada público deve receber critérios, mensagem e acompanhamento próprios.

Separe os papéis dentro do evento

Uma das formas mais úteis de organizar a lista é classificar o papel que cada empresa pode exercer. Isso evita misturar convidados, expositores e parceiros na mesma cadência.

Participantes e potenciais compradores

São empresas que podem obter valor do conteúdo, das demonstrações ou das conexões oferecidas. A seleção deve partir do problema que o evento ajuda a discutir ou resolver.

Expositores e fornecedores

Precisam ter oferta complementar ao tema e capacidade de atender o público esperado. Os critérios podem incluir atividade econômica, cobertura geográfica e aderência à cadeia produtiva.

Patrocinadores e apoiadores

Devem enxergar valor no acesso ao público, na associação institucional ou na geração de relacionamento. Tamanho e presença regional podem ajudar, mas não substituem a análise de afinidade com o tema.

Parceiros de divulgação

Associações, entidades, consultorias e organizações setoriais podem ajudar a alcançar públicos específicos. Elas devem ficar em uma lista separada, com proposta de colaboração clara.

Clientes e convidados estratégicos

Clientes atuais ou contas em relacionamento merecem tratamento distinto. O convite pode priorizar experiência, networking ou acesso antecipado, sem confundir a comunicação com prospecção fria.

Critérios para selecionar empresas

Os dados cadastrais ajudam a formar o universo inicial. Depois, a equipe pode combinar filtros objetivos com informações próprias, como histórico de relacionamento e interesse demonstrado.

Atividade econômica

Use o CNAE para aproximar a lista do tema do evento. Comece pelas atividades diretamente relacionadas e crie um grupo adjacente para testar empresas que participam da mesma cadeia.

O CNAE principal descreve a atividade predominante declarada. CNAEs secundários podem ampliar a seleção, mas exigem cuidado para não incluir organizações cuja relação com o tema seja apenas marginal.

Localização

Para eventos presenciais, município, região e distância influenciam a probabilidade de comparecimento. Para encontros online, a localização pode ser menos restritiva, mas ainda útil para fuso, idioma, legislação ou estratégia comercial.

Evite escolher uma distância arbitrária sem considerar acesso, duração, horário e relevância do encontro. Um conteúdo raro pode atrair empresas de mais longe; um café rápido tende a depender de proximidade.

Porte e capacidade operacional

Porte cadastral, capital social e número de estabelecimentos podem ajudar a criar faixas de convite, mas não representam sozinhos faturamento, orçamento ou interesse.

Use esses campos como aproximações sujeitas a validação. Em alguns eventos, empresas menores têm maior aderência; em outros, a operação exige estrutura específica.

Matriz e filiais

Defina se o convite deve chegar à matriz, a uma filial local ou às duas. Para decisões corporativas, a matriz pode ser mais adequada. Para encontros regionais, a unidade próxima pode ter maior autonomia e chance de participação.

Consolidar estabelecimentos pelo CNPJ básico ajuda a evitar convites duplicados, enquanto manter a informação das filiais permite escolher a unidade mais relevante.

Situação cadastral e atualidade

Se o evento é direcionado a empresas em operação, use a situação cadastral como requisito de elegibilidade. Registre também a data de atualização da fonte para identificar listas que precisam de revisão.

Critérios próprios

Dados internos podem melhorar a seleção: cliente ou prospect, histórico de reuniões, segmento atribuído, produto utilizado, cidade atendida e participação em eventos anteriores.

Mantenha a origem de cada informação. Dados cadastrais públicos, dados comerciais e respostas de formulários têm níveis diferentes de atualização e significado.

Como transformar critérios em grupos de convite

Em vez de produzir uma única lista ordenada, crie grupos que orientem mensagens e ritmos diferentes.

Um modelo simples pode usar:

  • Grupo A: empresas diretamente aderentes, dentro da região e com papel claro;
  • Grupo B: empresas aderentes, mas com alguma incerteza de localização, atividade ou contato;
  • Grupo C: segmento adjacente usado como amostra de aprendizado;
  • Grupo de relacionamento: clientes, parceiros e contas já conhecidas;
  • Grupo institucional: associações, entidades e potenciais apoiadores.

Os grupos não precisam representar qualidade absoluta. Eles apenas indicam a abordagem adequada e a ordem de trabalho para aquele evento.

Exemplo prático: feira regional de soluções para varejo

Imagine uma feira voltada a soluções operacionais para varejistas de uma região. A lista inicial poderia incluir empresas ativas com atividades de comércio e unidades em municípios acessíveis ao local.

A equipe poderia organizar assim:

  • participantes: varejistas com atividade e localização aderentes;
  • expositores: fornecedores de tecnologia, logística, equipamentos e serviços para varejo;
  • patrocinadores: organizações com presença regional e afinidade com o público;
  • parceiros: associações comerciais e entidades setoriais;
  • clientes: empresas já atendidas que podem participar de painéis ou networking.

Para cada grupo, a proposta muda. O participante recebe conteúdo e benefícios do encontro; o expositor recebe informações sobre público e estrutura; o parceiro recebe uma proposta de colaboração.

Dimensione a lista pela capacidade de execução

O tamanho da lista deve considerar taxa de entrega, resposta, confirmação, comparecimento e capacidade de acompanhamento. Não existe um multiplicador universal para todos os eventos.

Use dados próprios de edições anteriores quando disponíveis. Em uma primeira edição, trabalhe em ondas menores, acompanhe os resultados e amplie apenas quando a equipe conseguir manter qualidade.

Considere também:

  • limite físico ou técnico do evento;
  • quantidade de pessoas disponíveis para convites;
  • prazo até a realização;
  • necessidade de confirmação ou aprovação;
  • capacidade de responder dúvidas;
  • plano de acompanhamento após o evento.

Enriquecimento sem confundir empresa e pessoa

A lista de empresas define quais organizações fazem sentido. A etapa seguinte identifica funções ou áreas responsáveis, quando necessário. Não transforme ausência de contato pessoal em ausência de aderência da empresa.

Mantenha campos separados para organização, estabelecimento, função desejada, contato identificado, origem do dado e status do convite. Essa estrutura reduz duplicidades e facilita correções.

Como remover duplicidades

Eventos podem gerar duplicidades quando a mesma empresa aparece por CNAEs diferentes, possui várias filiais ou já está na base comercial.

Antes dos convites:

  1. normalize CNPJ e identificadores;
  2. consolide matriz e filiais conforme a estratégia;
  3. compare com clientes, parceiros e participantes anteriores;
  4. defina um responsável por conta;
  5. mantenha apenas o convite adequado a cada papel.

Uma empresa pode exercer mais de um papel, mas isso deve ser intencional. Evite enviar propostas contraditórias para pessoas diferentes da mesma organização.

Planeje convites em ondas

Trabalhar em ondas permite aprender antes de usar toda a base. Comece pelo grupo mais aderente, avalie entrega e resposta, ajuste a mensagem e só então avance.

Uma sequência possível é:

  1. primeira onda para convidados estratégicos e Grupo A;
  2. segunda onda após analisar dúvidas e objeções;
  3. terceira onda para segmentos adjacentes;
  4. lembretes apenas para contatos elegíveis;
  5. confirmação operacional perto da data.

Não trate falta de resposta como permissão para insistência ilimitada. Defina quantidade de tentativas, intervalos e canais adequados.

Campos úteis na planilha ou CRM

Uma estrutura mínima pode incluir:

  • CNPJ e razão social;
  • nome fantasia;
  • matriz ou filial;
  • CNAE principal e atividades relevantes;
  • município e UF;
  • papel esperado no evento;
  • grupo de prioridade;
  • responsável interno;
  • status do convite;
  • data da última ação;
  • origem dos dados;
  • motivo de recusa ou desqualificação.

Use valores padronizados para status e motivos. Campos livres demais dificultam saber por que determinadas empresas não responderam, recusaram ou não compareceram.

Como medir a qualidade da lista

Não avalie apenas o número de convites enviados. A qualidade aparece na progressão de cada grupo ao longo do processo.

Indicadores úteis incluem:

  • percentual de contatos válidos;
  • resposta por segmento;
  • confirmação por grupo;
  • comparecimento entre confirmados;
  • empresas que participaram de reuniões ou atividades;
  • motivos de recusa;
  • continuidade após o evento.

Compare grupos semelhantes. Um público institucional não deve ser avaliado pelos mesmos critérios de uma lista de potenciais compradores.

Use o resultado para melhorar a próxima edição

Após o evento, registre quem participou, qual papel exerceu e que tipo de interação ocorreu. Esses dados ajudam a melhorar filtros, mensagens, horários e formato.

Empresas ausentes não devem ser classificadas automaticamente como desinteressadas. Problemas de agenda, distância, prazo e comunicação podem explicar a ausência.

Cuidados com LGPD e comunicação

A prospecção para eventos pode envolver dados pessoais de representantes. Defina finalidade, base aplicável, acesso, retenção, segurança e mecanismos para atender pedidos de interrupção ou oposição.

O convite deve identificar quem envia, explicar o evento e permitir que a pessoa entenda por que a mensagem é relevante. Listas compradas sem contexto ou origem clara aumentam riscos e tendem a gerar baixa qualidade.

Checklist para criar a lista

  1. Defina o objetivo e o formato do evento.
  2. Separe participantes, expositores, patrocinadores e parceiros.
  3. Escolha critérios de atividade, localização e operação.
  4. Aplique requisitos de elegibilidade.
  5. Consolide matriz e filiais.
  6. Crie grupos de prioridade e mensagens próprias.
  7. Remova duplicidades e atribua responsáveis.
  8. Envie convites em ondas mensuráveis.
  9. Registre respostas, comparecimento e aprendizados.
  10. Atualize a lista-mãe após o evento.

Perguntas frequentes

Devo convidar todas as empresas do setor?

Não necessariamente. Combine setor com localização, papel esperado, capacidade do evento e relação com o tema. Uma lista menor e coerente costuma ser mais fácil de trabalhar e aprender.

É melhor usar CNAE principal ou secundário?

Comece pelo principal para obter maior precisão. Inclua CNAEs secundários quando houver uma justificativa para a oferta ou cadeia produtiva e avalie o resultado separadamente.

Como tratar matriz e filiais?

Depende de onde está a decisão e de quem participará. Consolide a conta para evitar duplicidade, mas preserve as unidades para selecionar o convite mais adequado.

Quantos convites devo enviar?

A resposta depende da capacidade, do histórico de confirmação e comparecimento e do tempo disponível. Use ondas, meça a resposta e amplie gradualmente.

Posso usar a mesma lista em todos os eventos?

Use uma base comum, mas gere um recorte por objetivo, tema, região e papel. Reaproveitar toda a lista sem revisão reduz a relevância e ignora mudanças cadastrais.

O que fazer com quem não compareceu?

Registre o status sem presumir desinteresse. Quando apropriado, envie materiais prometidos, peça feedback ou ofereça uma próxima edição com comunicação proporcional.

Conclusão

Uma boa lista para eventos B2B começa pelo papel que cada empresa pode exercer e pelo valor que o encontro entrega. Dados públicos ajudam a formar o universo, mas a qualidade depende de critérios claros, mensagens específicas e acompanhamento disciplinado.

Trabalhe em grupos, convide em ondas e devolva os resultados à base. Assim, cada evento deixa de ser uma ação isolada e passa a melhorar a próxima seleção de empresas.

Fontes de referência

Receita Federal — Dados Abertos do CNPJ

Concla/IBGE — Busca online da CNAE

Planalto — Lei nº 13.709/2018 (LGPD)