CNAE principal ou secundário: qual usar na prospecção B2B?

Erick Luiz Bertolini
Gerente de prospecção B2B
Atuo com tecnologia, e-commerce e soluções B2B, com experiência em prospecção comercial, dados empresariais e desenvolvimento de produtos digitais. No Lista de Empresas, compartilho conteúdos sobre geração de leads, inteligência comercial, CNPJ, vendas B2B e estratégias para encontrar novos clientes.
CNAE principal e CNAE secundário não são filtros equivalentes. Na prospecção B2B, o principal costuma oferecer um recorte mais preciso da atividade central declarada pela empresa. Os secundários ampliam a descoberta de contas, mas também aumentam o risco de incluir negócios que registraram uma atividade sem exercê-la com relevância.
A escolha certa depende do objetivo da lista. Se você precisa de alta aderência logo no primeiro contato, comece pelo CNAE principal. Se quer mapear oportunidades adjacentes ou empresas com operação diversificada, analise também os CNAEs secundários — sempre em grupos separados.
O que muda entre CNAE principal e secundário?
O CNAE é a classificação usada para identificar as atividades econômicas de estabelecimentos. Uma empresa pode declarar uma atividade principal e outras atividades secundárias. A principal representa a atividade econômica considerada preponderante no cadastro; as secundárias registram outras atividades que o estabelecimento está habilitado a exercer.
Esse cadastro é valioso para segmentação, mas não funciona como uma fotografia perfeita da operação comercial. Uma atividade secundária pode ser relevante, ocasional, planejada ou pouco explorada. Por isso, CNAE deve ser tratado como sinal de qualificação, e não como prova isolada de necessidade de compra.
CNAE principal
É o melhor ponto de partida quando a oferta atende diretamente um setor. Ele tende a reduzir falsos positivos porque aproxima a lista da atividade central declarada pelo estabelecimento.
CNAEs secundários
São úteis para encontrar empresas que também atuam em um mercado, embora essa atividade não seja a principal. Eles aumentam a cobertura da busca, mas exigem validação adicional antes da abordagem.
Quando usar apenas o CNAE principal
Priorize o CNAE principal quando o produto ou serviço depende fortemente da atividade central do comprador. Isso é comum em ofertas verticais, equipamentos especializados, insumos setoriais, softwares de nicho e serviços sujeitos a processos próprios de determinado segmento.
Exemplo: um fornecedor de sistema de gestão para restaurantes pode começar por estabelecimentos cujo CNAE principal corresponde a restaurantes e similares. A lista tende a concentrar operações em que alimentação é o núcleo do negócio.
O filtro pelo CNAE principal também faz sentido em três situações:
- A equipe comercial precisa de uma lista menor e mais aderente para testar a abordagem.
- O custo por contato é alto e há pouco espaço para investigar contas fora do perfil.
- A proposta de valor só funciona quando a atividade segmentada é central para a empresa.
Quando incluir CNAEs secundários
Inclua atividades secundárias quando sua solução atende operações complementares, empresas diversificadas ou negócios que podem ter registrado a atividade de interesse sem torná-la predominante.
Esse caminho é especialmente útil na exploração de mercado. Ele ajuda a descobrir distribuidores que também prestam serviços, indústrias que mantêm comércio atacadista ou empresas que combinam fabricação, instalação e manutenção.
Ainda assim, principal e secundário não devem entrar no mesmo lote sem identificação. Misturar os dois impede que a equipe saiba por que cada conta foi selecionada e dificulta medir qual recorte gera melhores oportunidades.
A estratégia mais segura: criar duas listas
Em vez de escolher apenas um campo, monte dois grupos independentes:
- Grupo A — CNAE principal: contas com maior aderência presumida e prioridade de contato.
- Grupo B — CNAE secundário: contas de exploração, submetidas a sinais adicionais de validação.
Essa separação permite comparar respostas, reuniões qualificadas e oportunidades geradas por origem. Com o tempo, os resultados mostram se os CNAEs secundários realmente acrescentam mercado ou apenas volume.
Como montar o recorte passo a passo
1. Defina o problema que sua oferta resolve
Comece pela necessidade do comprador, não pelo código. Descreva em uma frase quais empresas sentem o problema, em que contexto e qual operação seria afetada. Isso evita selecionar CNAEs apenas porque parecem relacionados ao produto.
2. Consulte a descrição oficial da classe e da subclasse
Leia a denominação, as notas explicativas e as atividades compreendidas ou não compreendidas. Termos parecidos podem pertencer a subclasses diferentes. Use a classificação oficial para construir o filtro, sem adivinhar códigos.
3. Gere primeiro a lista pelo CNAE principal
Aplique o código como atividade principal e combine-o com filtros coerentes: situação cadastral ativa, localização atendida, matriz ou filial, porte compatível e tempo de abertura quando isso fizer diferença para a oferta.
4. Gere uma segunda lista pelos CNAEs secundários
Mantenha a origem do critério em uma coluna própria. Uma conta selecionada por atividade secundária deve continuar identificada dessa forma no CRM ou na planilha de prospecção.
5. Valide uma amostra antes de escalar
Revise uma amostra de empresas nos canais institucionais disponíveis, como site, descrição do negócio e presença comercial. O objetivo é verificar se a atividade buscada aparece de fato na operação, sem transformar a pesquisa em coleta excessiva de dados.
6. Compare desempenho por grupo
Acompanhe indicadores do processo comercial separadamente. Taxa de conexão, conversas qualificadas, reuniões e oportunidades ajudam a decidir se vale manter, restringir ou ampliar o uso de CNAEs secundários.
Exemplo prático
Imagine uma empresa que vende embalagens e soluções de entrega para restaurantes. Uma conta com CNAE principal de restaurante entra no grupo de maior prioridade. Já uma empresa que possui restaurante apenas como atividade secundária pode ser um hotel, clube ou organização com outra operação principal.
Essa segunda conta não é necessariamente inadequada. Ela apenas exige outra hipótese comercial: o volume de refeições, a existência de delivery e a autonomia de compra podem ser diferentes. O erro seria abordar os dois grupos com a mesma mensagem e a mesma expectativa.
Como reduzir falsos positivos
Além de separar principal e secundário, combine sinais que reforcem a aderência:
- Situação cadastral ativa e dados cadastrais coerentes.
- Município ou área de atendimento da equipe comercial.
- Porte ou faixa operacional compatível com a solução.
- Matriz e filiais tratadas de acordo com quem compra ou usa a solução.
- Presença pública de produtos, serviços ou estrutura relacionados à atividade.
Nenhum desses sinais substitui a conversa comercial. Eles servem para ordenar a fila de prospecção e formular uma abordagem mais relevante.
Uma regra simples de priorização
Você pode adotar uma classificação inicial sem criar um modelo complexo:
- Prioridade alta: CNAE principal aderente e demais filtros compatíveis.
- Prioridade média: CNAE secundário aderente, com evidência pública da atividade.
- Prioridade de pesquisa: CNAE secundário aderente, mas sem confirmação operacional.
Essa regra torna o critério explicável. A equipe consegue entender por que cada empresa está na lista e atualizar a prioridade conforme surgem informações melhores.
Erros comuns ao usar CNAE na prospecção
Tratar todos os CNAEs como se tivessem o mesmo peso
A atividade principal e as secundárias indicam relações diferentes com o setor. Ignorar essa diferença costuma inflar a lista e reduzir a relevância da abordagem.
Selecionar apenas pela palavra do nome da atividade
A classificação tem hierarquia e notas explicativas. Pesquisar um termo sem conferir a subclasse pode incluir operações distintas ou deixar empresas relevantes de fora.
Confundir cadastro com intenção de compra
O CNAE ajuda a estimar aderência, mas não informa orçamento, momento, fornecedor atual ou prioridade interna. Esses elementos surgem na qualificação comercial.
Não registrar a origem da segmentação
Sem saber se a conta entrou pelo CNAE principal ou secundário, fica difícil aprender com os resultados e melhorar a próxima lista.
Perguntas frequentes
Uma empresa pode ter mais de um CNAE?
Sim. O estabelecimento possui uma atividade principal e pode registrar atividades secundárias compatíveis com sua atuação.
CNAE secundário significa que a empresa exerce a atividade hoje?
Não necessariamente. Ele indica que a atividade consta no cadastro, mas sua relevância prática precisa ser validada com outros sinais.
Devo excluir todas as empresas encontradas apenas por CNAE secundário?
Não. O melhor é colocá-las em um grupo de prioridade diferente e verificar evidências de que a atividade faz parte da operação.
Qual campo gera uma lista mais precisa?
Em geral, o CNAE principal produz maior precisão para ofertas diretamente ligadas ao setor. Os secundários ampliam a cobertura, com maior necessidade de validação.
Posso combinar CNAE com outros filtros?
Sim. Situação cadastral, localização, porte, tempo de abertura e distinção entre matriz e filial ajudam a construir um recorte mais útil para a prospecção.
Conclusão
Use o CNAE principal como base quando a prioridade for precisão. Acrescente CNAEs secundários quando a meta for ampliar o mercado, mas mantenha esses registros identificados e valide sua atividade real. A melhor lista não é a maior: é aquela em que cada critério tem uma função clara e pode ser comparado com o resultado comercial.
Fontes de referência
Concla/IBGE — Busca Online da CNAE